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Setor Jaó foi construído por prisioneiros alemães da Segunda Guerra Mundial

O Setor Jaó é um bairro nobre goianiense, localizado na região norte da capital, próximo ao aeroporto internacional Santa Genoveva, região riquíssima em cultura e curiosidades.

A história é rodeada de mistério e segredos, não é muito explorada pelos historiadores locais. Mas se sabe que dezenas de criminosos da guerra e genocidas se refugiaram na américa Latina. Muitos oficiais da Wehrmacht das forças armadas da Alemanha hitlerista se esconderam na Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Brasil que desembarcou em Goiânia, no ano de 1947, durante o governo de Jerônimo Coimbra Bueno.

Ao desembarcarem da aeronave, trouxeram malas e pertences pessoais, foram transportados para a penitenciária de Goiânia no centro da capital, tudo realizado de forma secreta para não causar nenhum pavor e alvoroço pela população e a mídia. Os prisioneiros alemães foram transferido da penitenciária para a Fazenda Retiro da Interestadual Mercantil S/A, cujo o dono é o José Magalhães Pinto, banqueiro e político mineiro, que depois seria governador de Minas Gerais (1961-1966).

Especialistas e urbanismo teve a ideia de urbanizar a Fazenda Retiro, às margens do Rio Meia Ponte, que servia de acampamento em barracas aos alemães, sendo vigiados pelo estado. Magalhães Pinto apoiou a ideia e o governo goiano teve total autonomia nas decisões do projeto. A única rogação do banqueiro foi a nomeação das avenidas Pampulha e Belo Horizonte, para homenagear a capital mineira, no que sucederia o Setor Jaó.

Tudo indica que a planta original do setor teria sido desenhada pelos alemães e assinada pelo engenheiro Tristão Pereira da Fonseca. Adotaram o nome Setor Jaó, em referência a um pássaro comum da região. Utilizaram padrões germânicos aos logradouros, com ruas e avenidas largas e encurvadas, espaços verdes extremamente valorizados apesar de ser um bairro pequeno. Com exceção das Avenidas Belo Horizonte e Pampulha, os nomes das demais vias começavam o “J” de Jaó, uma característica alemã de não atribuir nomes aos endereços. O mesmo sistema seria adotado para batizar as ruas do recém-criado loteamento de Goiânia, como Rua J-33, por exemplo, e assim em diante.

Ao finalizar o loteamento do Setor Jaó, em 1952, os alemães receberam uma recompensa pela colaboração. A maioria foi convidada pelo presidente Juan Domingos Perón a mudar-se para Argen­tina. Outros, por conta própria, foram para São Paulo. Em Goiânia permaneceram apenas três: Werner Sonnenberg, Otto Hoffmann e Paul Boetcher. Pouco se sabe do paradeiro dos demais.

O professor de História da Universidade Federal de Goiás (UFG) Luís Sérgio Duarte da Silva ressalta que “não há importância se os alemães do Jaó eram ou não nazistas. Uma característica importante é que o governo, naquela época, trazia qualquer um que pudesse ajudar na construção de Goiânia”.

Fonte: Frederico Vitor (Tok de História)